E foi exatamente isso que fiz. Peguei minha mochila, o ônibus e fui para a Lisboa com uma excursão da escola, no período que estive em Madrid.
Saímos na sexta e só voltaríamos no domingo.A viagem foi de 8 horas e pouco, mas tão divertida que passou bem rápida.
Chegamos no centro de Lisboa já ao anoitecer. Encontramos o albergue (http://kitschhostel.com/) que estava bem escondido, porque sua entrada dava em uma loja de souveniers. Bem alternativo, mas bem localizado e aconchegante o lugar.
Estávamos em um grupo de 30 pessoas, algumas da escola que estudava e de outras também.
Chegamos e já fomos sentir a noite. O clima estava bem agradável e conseguimos caminhar e eleger um restaurante tipicamente português. As pessoas são surpreendentemente amáveis, diferente do trato dos espanhóis sempre muito secos.
O que mais me confundia era com a língua. Já estava habituada com o espanhol, e demorou eu engolir a idéia de que estava em um país que falava a mesma língua que a minha. Era até engraçado, porque muito dos meus amigos que falavam hebraico, islandes, chinês dependiam de mim para fazer seus pedidos, e logo,seria a interprete da galera....mas, me via falando espanhol.
A cidade tanto de dia quanto de noite é agradável e tem muita de suas particularidades portuguesas. Encontrei camelôs de castanhas portuguesas, apresentação musical com cachorrinhos, muitas lojas de tecidos, cartazes com apresentações de fado, musicas do remoto tempo do "Só pra contrariar".... Caminhando pelo centro histórico de Lisboa, avistamos o bonde turístico, a igreja onde foi batizado Santo Antonio e o mirante onde avistamos a imensidão azul do rio Tejo...surreal!
Cortando caminho pelas ruelas, chegamos até o Castelo de São Jorge, ou tipicamente conhecido como Castelos dos Mouros, uma antiga fortaleza que protegia a cidade e dona da mais rica vista do rio Tejo. Muito bem conservado, ainda mantinha um antigo painel de azulejo e suas muralhas eram vistas desde qualquer ponto da cidade, posto que se localiza na parte mais alta da cidade.
Nesse mesmo dia, fomos conhecer a praia do Guincho situada em Cascais, litoral de Lisboa. Uma praia, bem deserta e cheia de pedras. Infelizmente, o tempo não colaborou, por isso ficamos só observando a bela paisagem sentada nas pedras, já que ninguém se atrevia a dar um mergulho.
O por do sol visto de lá era mágico. Voltei para a cidade super encantada com Lisboa que estava se desnudando pouco a pouco.
A noite foi realmente uma criança. Depois da invasão de nosso grupo em um restaurante típico de Lisboa e de beber muito vinho, aproveitamos para cair na "night". Só baladas portuguesas na região de Alcantara, ao som bem português. Muito divertido e descontraído. Pude encontrar lá também bastante brasileiros trabalhando nas discotecas.
O dia amanheceu e tínhamos pela frente o ultimo roteiro com destino a Belém. É lá que está situado o Monumento aos Descobridores, o Mosteiro dos Jerônimos, o palácio de Belém e os mais autênticos e deliciosos pasteis de Belém. Um calçadão com frases do poeta imortal, decoravam o concreto que margeava o Tejo.
Uma inesquecível viagem em terras portuguesas, que me fez sentir um pouco da essência lusitana. Lisboa guarda muitas riquezas de uma cidade moderna e também antiga. As pessoas que constituem esse cenário são cheias de alegria e simplicidade. A gastronomia é rica e saborosa. Enfim, foram poucos os dias, mas suficientes para deixar saudades e ter a certeza de um regresso! Tour mais que recomendado!
Os deixo com um poema clássico do conterrâneo Fernando Pessoa, que nos abre as portas de Lisboa e nos faz enxergar com os olhos de uma criança todo nosso horizonte:
"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a unica inocência é não pensar..."

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