17/09/2011

Cartas mensageiras

Depois que li pela manhã a manchete no jornal dizendo: “Greve nos Correios paralisa serviço no país.” ; parei para pensar nessa pratica que a tempo está extinta: enviar cartas. E lembrei-me quando foi a última vez que escrevi uma.


A carta é considerado um meio de comunicação que atualmente está obsoleto, mas que carrega um ar de nostalgia. No entanto, nesse mundo moderno, as cartas estão sendo substituídas pelos e-mails, mensagens instantâneas e afins desse mundo moderno.

Mudamos a estrutura aprendida na escola sobre uma carta, hoje, o formato de bem mais sucinto, objetivo e  com no máximo 200 caracteres, um pouco parecido aos antigos Telegramas quando era preciso a economia de palavras, posto que cada uma era paga. E confesso, como era gostoso receber uma carta, abrir o envelope e ler  a mensagem escrita a próprio cunho pelo remetente. Muitas vezes, elas vinham anexadas com fotos, desenhos e flores. Havia uma época também que as meninas colecionavam pastas de papeis de cartas com várias ilustrações e trocavam entre elas.

Sabemos que a carta foi uma importante ferramenta de comunicação em séculos passados, desde a época que os romanos dominavam o mundo, e utilizavam os mensageiros para enviar importantes comunicados. Teve papel importante também nas grandes guerras para o envio das mensagens com noticias de alegria ou de pesares. Sem citar na época romântica, dos grandes poetas quando escreviam poemas para suas amadas assinando pelo seus heterônimos. E elas respondiam envolvendo a carta com seus perfumes, complementando a carta de amor.  


No filme “Cartas para Julieta” reflete a sensação de ler uma carta escrita e perdida no tempo, endereçada e com um destinatário desconhecido. Como já dizia Fernando Pessoa: “Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” Em outro filme "Central do Brasil", a atriz Fernanda Montenegro interpreta uma pessoa que trabalha na estação de trem para escrever cartas a analfabetos. Ela ouve e transcreve histórias de muitas pessoas, em sua maioria migrantes que tentam manter laços com os parentes e o passado, na necessidade de enviar noticias, partilhar conquistas e expressar sentimentos, essas inerentes ao homem - a comunicação.

Por isso, em meio a tanta tecnologia ainda gosto de ouvir alguém dizer que recebeu uma carta ou um cartão postal. Acho que deixa a marca registrada da pessoa que escreveu, mesmo não estando perto.

Gostaria que essa pratica voltasse, pois o enviar uma carta, seja com qual for seu conteúdo, vale a pena, pois envolve o ato de escrever,  pensando no tempo prostrado  e da pessoa debruçada naquela folha em branco. Por mais que seja uma prática antiga, ainda me atreveria a escrever a meus amigos de vez em quando. Talvez achem estranho, mas isso quebra a rotina e faz um bem!

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