Num passeio de um dia, saí de Madrid, peguei o ônibus Sepulvedana, que sai da estação Principe Pío e em poucos minutos estava na cidade. Na rodoviária peguei o mapa, e com a orientação da guia, me assinalou os principais pontos que deveria visitar, e com isso, parti rumo à caminhada turística.
Logo de cara, me deparo com os suntuosos aquedutos. QUE MARAVILHA! Fiquei um longo tempo admirando a obra tão milimetricamente construída e que circunda uma boa parte da cidade. Em uma aula de cultura espanhola, minha professora Maria me contou de uma lenda desse aqueduto:
Segundo conta a lenda local a obra não é romana, mas fruto de um trabalho do Diabo. Uma criada levava água todos os dias da fonte até o castelo do seu senhor, por várias milhas. Para encerrar seu suplício, decidiu invocar o coisa-ruim e fazer um pacto: se Belzebu bolasse um jeito de levar a água diretamente da fonte para o seu patrão, encerrando seu martírio, ela entregaria a sua alma em troca. Mas a solução deveria ser concluída antes do amanhecer. Durante toda a noite uma grande tempestade assolou a cidade, mas somente a menina enxergava a verdade: uma legião de demônios comandados por Satã furiosamente trabalhando, frenéticos, na construção da obra. A garota viu que fez e rezou muito arrependida, aparentemente não sendo escutada. Quando Belzebu, confiante, estava para colocar a última pedra no aqueduto, o canto da galo e um raio de luz no meio da escuridão anunciou o novo dia, estranhamente mais cedo que o o normal. A mulher se salvou e a obra permaneceu, como Ponte del Diablo. Uma construção que deixaria qualquer arquiteto com inveja por tal façanha, do dito cujo.
Enfim, continuei caminhando pela cidade que se demonstrava mais e mais bela. Catedrais, ruelas, até que me deparo com o Castelo de Alcázar! Lin-do! Meu primeiro castelo! Juntamente com mais duas amigas americanas que conheci ali, descemos até o jardim, (foi uma descida e tanto...), onde pudemos ter uma imagem espetacular de baixo para cima. Surreal a paisagem! Nesse momento, não tem como não lembrar de tudo que poderia ter acontecido nesse cenário: guerras, paixões, cruzadas, príncipes, carruagens..., um cenário totalmente medieval.
Um local importante que fiz questão de conhecer foi a casa do escritor Antonio Machado, situada numa vila bem acolhedora, e agora é museu. Em seguida, um ponto bem conhecido é a Casa de los Picos, com uma arquitetura bem diferenciada, assim como o Torreón de Lozoya na Plaza San Martin.
Depois de caminhar muito, sentei na plaza central ao som de um violinista com seu fantoche, e fiquei observando o ir e vir das pessoas (na sua maioria turistas), mas que se mesclavam com espanhóis que se orgulhavam de mostrar sua cidade.
Foi uma tarde de sol, calor e muito agradável, que me surpreendeu em todos os sentidos. Segóvia, além de econômica vale cada passo da visita. Recomendo.
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