A Conexão e os Sentimentos

Passa-se anos e as pessoas estão  mais conectados que nunca, sejam no celular, no tablet ou no computador. Criou-se um mundo paralelo ao real (não que o virtual não seja, é que ele é mais passivo), viver fora desse mundo é se sentir um ET. Onde você estacionou sua nave? Não vejo a internet como algo mau, posto que com ela, é possível ter acesso a muito mais informação que antes não se tinha, facilitando na busca de um emprego, de um novo curso e até mesmo de um relacionamento. Graças a essas impetuosas buscas através do oráculo Google, gerou-se o fenômeno das redes sociais que abrange tanto a vida profissional quanto  social e sentimental. Nessas redes sociais, as pessoas simplesmente, se transformam: de tímidas para as mais populares, de “feias” para as mais “exóticas”, de pacatas para as revolucionárias....



As pessoas estão ganhando tempo (se é que ficar conectado é ganhar tempo...) e perdendo um pouco, a noção da exposição pessoal, frente a este meio público e infinito que é a internet. Algo feito, jamais será desfeito ou deletado e pior, será expandido e difundido à velocidade luz para todos os cantos do mundo.  O que foi postado hoje como forma de desabafo ou de mensagem “indireta” para um desamor, em um minuto vira telefone sem fio, gerando muitos entendimentos para uma sentença. E me diga: para quê tornar público um sentimento particular? Não se esqueça que, esse post que devia ser direcionado para 1 pessoa, em especial,  acaba sendo visível para todos do seu círculo pessoal de amigos, vizinhos, chefes, companheiros de baia, professores, ex-colega de classe...Vale a pena expor seu sentimento momentâneo para todos? Aliás, quando não, há aqueles também que fazem questão de explicitar seu sentimento com aqueles simbólicos smiles, com caras tristes. O que se espera depois de uma publicação como essa? Que desabroche uma boa alma de reconciliação, de benfeitor e que console seu espirito cabisbaixo?  No final, até pode sair com a fama do “amigo carente” que tem a necessidade de dizer a todos que está de mal com o mundo. A vá! Vá buscar o que fazer, vá ler um bom clássico, vá entender o problema mais além do seu nariz e vá tomar vergonha por ser um livro aberto dando margem à aqueles que esperam por uma noticia dessas, para rir do outro lado da tela, dessa sua cara de babaca enfastiado.

Problemas pessoais, todos temos, mas não necessariamente precisam ser expostos publicamente, antes tivéssemos a vantagem de resolvê-los assim, mas já que não, o mínimo que conseguirá é mostrar aos outros sua fragilidade, destacada em luzes de neon. Por isso, antes de ostentar suas lamúrias, decepções, angústias e arrependimentos pela internet, pense se isso realmente é imprescindível para seu “eu” e se terá alguma vantagem que alguns míseros “curtir” na sua tristeza.

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